A vida é um eterno recomeço (depois de uma separação)
- Andrea Pavlo
- 19 de fev.
- 3 min de leitura
Eu tinha uma ilusão, não vou negar e acho até importante dividir isso aqui, com vocês. Eu realmente achava que a vida tinha um momento em que tudo estaria estável. Um dia, eu teria dinheiro suficiente para nunca mais me preocupar. Um dia, teria o relacionamento dos sonhos e isso estaria "resolvido". Um dia, eu teria um peso e uma saúde estáveis, legais, sendo elogioada por todos os médicos e nada, nunca, mal ou negativo, voltaria a acontecer comigo. Pois é... mera ilusão.

Na cultura indiana isso se chama "maya" ou o véu da ilusão. E quando ele vai dói, dói muito. Notamos que o normal da vida é rodar, rodar, rodar... algumas das peças ficam um tempo e caem, algumas caem rápido, algumas simplesmente são esquecidas em um canto.
Estou vivendo o fim de um ciclo. Dentro de pouco mais de um mês eu estarei completando 50 anos. Nos meus sonhos, esse dia seria celebrado com meu ex-marido, que também completa 50 anos, num churrasco no nosso novo apartamento, com uma varanda gourmet e um pôr do sol incrivel. Toda a nossa família, incluindo os dois filhos dele, estariam lá. A vida seria leve e bonita. Mas...
E sempre tem o mas...
Há aproximadamente 3 meses, o casamento (oficializado há um ano mas que já acontecia a quatro) ruiu. Acabou.
...
...
Pois é. Sabe, eu terminei e eu sei exatamente o porquê e não, não vou colocar aqui para não virar só mais uma fofoca. O caso é que não sinto falta da pessoa, mas senti um luto, que está terminando só agora (depois do carnaval) da identidade que eu criei. Da "mulher casada", da festa de 50 anos, do apartamento dos sonhos que... não se realizaram. Dos sonhos, dos desejos e dos planos.
Quando algo assim acontece é como uma morte simbólica. Um desvivamento. Acho que a palavra melhor é essa. Algo que tinha vida, pulsava, alimentava os dias chuvosos em que eu quase perdia a esperança simplesmente não existe mais. Durante um tempo, uma travessia, os dias não fizeram muito sentido. Não era saudade, era a falta de uma personalidade que eu precise criar, que tinha perninhas, coração e sentido.
Mas aquele sentido era falso e hoje eu sei disso. Era construido em cima de um tipo de sacrifício que não era humanamente possível de ser suportado a longo prazo. Não teve traição. Não teve abandono. Não teve nem muito drama, só um dia... aquele dia...
Eu sentada no carro, do lado dele. Nervosa porque ele estava fazendo uma coisa que eu não gostava, não estava parando no posto de gasolina com o tanque baixo.... os postos passavam e um caminho que era só uma linha reta virou uma volta imensa, cheia de curvas e nervosismo. Em determinado momento eu parei de pedir e só observei e ali, naquele segundo, cheia de dor eu pensei: acabou. Não posso mais suportar isso. Não tenho como.
Os dias depois disso foram muitos mas foram fazendo cada vez mais sentido. Até tudo acontecer ainda se passaram alguns meses de resistência, de culpa, de medo do futuro. Um milhão de possibilidades... um milhão de planos de "eu sei, vamos melhorar", de tentativas de conversas, de choros no travesseiro. Mas "o que é para ser tem muita força" (frase de Chico Xavier). E isso teve. E aconteceu.
E sim, só agora eu consigo falar sobre isso porque sim, o sol nasceu novamente. Alguns dos aspectos daquela identidade ficaram, intactos. Alguns foram resgatados do passado, de longe... alguns simplesmente desapareceram para sempre. Mas aqui, escrevendo, momentos antes de sair pra minha academia e cuidar do meu corpo e da minha saúde eu posso dizer: deu tudo certo.
A vida só acontece. E ficar parada em algo que não faz bem, definitamente, não é uma opção.
Continue a nadar...



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